Para entender a fortuna oriental, ajuda imaginar primeiro o maior dos quadros: o yin e o yang. O yin-yang é a antiga intuição de que tudo no mundo é feito de duas energias emparelhadas. Onde há dia há noite, onde há calor há frio, onde há avanço há recuo. O ponto crucial é que não se trata de uma ser certa e a outra errada. Yin e yang se chamam e se preenchem sem cessar, movendo-se rumo ao equilíbrio, assim como a nossa vida encontra um ritmo entre atividade e descanso, encher e esvaziar.
Quando essa energia yin-yang aparece em cinco texturas mais concretas, temos os cinco elementos: madeira, fogo, terra, metal e água. A madeira é a energia do início e do crescimento que se estende para cima; o fogo, a do ardor e da expressão que se espalha; a terra, a energia central que sustenta e estabiliza tudo; o metal, a da têmpera que refina e conclui; a água, a energia flexível que penetra fundo e extrai sabedoria. Quando o saju lê o temperamento inato, examina em que proporções essas cinco energias habitam a pessoa.
Os elementos fascinam porque giram em relações de apoio mútuo (geração) e de freio mútuo (controle). A madeira alimenta o fogo; o fogo se consome e enriquece a terra; a terra contém o metal; o metal reúne a água; e a água faz crescer de novo a madeira. Esse fluxo que gira sem fim é a geração. Ao contrário, a água apaga o fogo, o fogo funde o metal, o metal corta a madeira, a madeira fura a terra e a terra represa a água. Esse freio é o controle. Quando uma energia se torna excessiva, outra a modera; quando falta, outra a eleva: esse princípio de equilíbrio é o coração da interpretação oriental.
Assim, um bom mapa não é o que reparte igualmente as cinco energias, mas o que preenche com sabedoria a sua energia ausente pelo modo de viver, encontrando equilíbrio com o tempo. Quem está com pouco fogo pode somar paixão com cores quentes e atividades dinâmicas, enquanto quem carece de água pode repor sabedoria com tempo sereno de reflexão. O yin-yang e os cinco elementos são, no fim, uma ferramenta para ler o mundo e a si mesmo em cinco linguagens. Aprendida essa linguagem, você pode entender por conta própria por que uma leitura saiu assim e cultivar cada dia rumo a um equilíbrio melhor.
Os cinco elementos não são uma teoria distante; eles se infiltram em cada canto da vida diária. Num dia em que a sua mente está inquieta como o fogo (火) e você não consegue dormir, a velha sabedoria aconselhava manter por perto a energia da água (水) que governa esse fogo: descanso tranquilo, hidratação suficiente, alimentos de cor escura. Ao contrário, num dia em que o seu ânimo decaiu e você se sente apático, pensava-se que ajudava a energia da madeira (木): natureza verde, uma caminhada leve, um pequeno plano para um novo começo. Essa sabedoria de pesar cor e comida, direção e estação pelos cinco elementos, preenchendo o que falta e aliviando o que transborda, não brilha em algum grande ritual, mas nas pequenas escolhas do que vestir, do que comer e para onde dirigir os seus passos hoje. Uma vez que você conhece a inclinação inata dos seus próprios cinco elementos que o saju revela, esse ato cotidiano de equilibrar ganha uma bússola muito mais clara.