Um baralho de tarô compõe-se de setenta e oito cartas no total. Se vinte e duas delas são os Arcanos Maiores, que guardam os grandes temas da vida, as cinquenta e seis restantes são os Arcanos Menores, que refletem com fino detalhe a textura da vida cotidiana. Os Arcanos Menores dividem-se em quatro naipes —Paus, Copas, Espadas e Ouros— e cada naipe compõe-se de cartas numeradas do um (o Ás) ao dez, mais quatro cartas da corte: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei. Imagine os naipes, os números e as figuras do baralho comum e a estrutura parece bem mais familiar; de fato, as cartas de jogo de hoje são algo como um primo que se separou destes Arcanos Menores.
Cada um dos quatro naipes simboliza um elemento e um âmbito da vida. Os Paus, com a energia do fogo, refletem a paixão e o ímpeto, os novos começos e a ação; as Copas, com a energia da água, guardam a emoção e o amor, as relações e o fluxo do coração. As Espadas, com a energia do ar, tratam o pensamento e as palavras, o conflito e a decisão; os Ouros, com a energia da terra, apontam o trabalho e o dinheiro, a saúde e os frutos do mundo real. Então, só por notar qual naipe sai com frequência numa leitura, você pode calibrar em silêncio em que área da sua vida a energia está se reunindo agora.
Dentro de cada naipe, os números carregam o fluxo de uma pequena história. Se o Ás é a semente daquele elemento e um começo puro, os números do meio passam pela energia crescendo, colidindo e amadurecendo, até que no dez um ciclo se enche e se encerra. Por exemplo, se o Ás de Copas é um sentimento novo que mal começa a brotar, o Dez de Copas se aproxima desse sentimento completado como a felicidade plena da família e da comunidade. Em vez de memorizar cada número, quando você sente este ritmo que flui do um ao dez, as cartas se leem com muito mais naturalidade.
As cartas da corte —Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei— são lidas como pessoas que carregam a energia do naipe ou como etapas de maturidade. O Valete é um recém-chegado curioso que mal aprende aquele elemento; o Cavaleiro é um realizador que corre de cabeça rumo àquela energia; a Rainha é uma maturidade que a amadurece por dentro e a abraça; o Rei é uma plenitude que a desdobra para fora, assume a responsabilidade e governa. Uma carta da corte pode apontar uma pessoa real ao seu redor e, às vezes, reflete alguma faceta dentro de você.
Se os Arcanos Maiores falam os grandes capítulos da vida, os Arcanos Menores são como as frases do dia a dia que enchem esses capítulos. Então, quando você lê os Arcanos Menores ao lado deles, uma leitura se torna não um determinismo vago, mas um conselho concreto e terno sobre a que dar o seu coração hoje e como dar um passo. Só convém lembrar que todos esses símbolos não são um feitiço que prega um futuro fixo, mas um espelho no qual refletir o seu coração e a sua situação com um pouco mais de clareza.
Quando várias cartas são estendidas juntas, a própria distribuição dos naipes conta outra história. Se aparecem muitas Copas, significa que o seu coração se inclina agora fundo para as relações e a emoção; se as Espadas se aglomeram, pode ser sinal de que a sua cabeça anda ocupada com o pensamento e a preocupação. Quando os Ouros enchem a tiragem, a energia se volta para o trabalho real e o sustento, e quando os Paus abundam, é um tempo em que flui com força a energia do novo desafio e da atividade. E quando o mesmo número se repete em vários naipes, pode ser lido como o tema daquela etapa ressoando em várias áreas da vida ao mesmo tempo. Assim, os Arcanos Menores, para além de memorizar o sentido de uma só carta, contam a sua história mais funda apenas quando você olha de uma vez toda a paisagem que muitas cartas desenham. Por isso, no começo basta lembrar o emparelhamento dos quatro naipes com os seus elementos; não tenha pressa e vá conhecendo as cartas uma a uma, devagar.
O conteúdo de tarô da FortuneLeaf também guarda com esmero a textura destes quatro naipes, buscando desdobrar cada carta para que alcance o seu hoje. Uma vez que você venha a conhecer as cinquenta e seis cartas dos Arcanos Menores, o tarô chegará não mais como uma imagem misteriosa, difícil e distante, mas como uma linguagem familiar que reflete com ternura a sua vida cotidiana. E quanto mais funda essa familiaridade se torna, mais o tarô deixa de ser uma ferramenta que fixa respostas para virar um companheiro gentil que o ajuda a falar consigo mesmo com mais honestidade enquanto vive o seu hoje.