Muitos supõem que a adivinhação do Leste Asiático se rege pelo calendário lunar, mas o saju e boa parte do cômputo tradicional do tempo seguem, na verdade, os 24 termos solares. Os termos são um calendário solar que divide o ano em vinte e quatro pontos conforme a posição do sol, separados cerca de quinze dias cada. Marcam o verdadeiro ritmo das estações e formam a espinha dorsal dos meses no saju.
Este é o princípio. A eclíptica —o caminho do sol pelo céu— divide-se em vinte e quatro arcos iguais de quinze graus. Cada termo marca uma virada na natureza: o começo da primavera, a chegada das chuvas, o despertar dos insetos, a espiga do grão, o grande calor, o orvalho branco, a queda da geada, o grande frio. Os termos vêm em pares que compõem as estações, e os quatro «começos» —da primavera, do verão, do outono e do inverno— abrem cada estação.
Por isso importam no saju. Um «pilar do mês» do saju não muda no primeiro dia de um mês do calendário, mas num termo solar (os doze termos seccionais, para ser exato). Assim, duas pessoas nascidas com poucos dias de diferença no «mesmo» mês podem ter pilares do mês distintos. O pilar do ano também muda não no primeiro de janeiro, mas no começo da primavera. Para levantar bem um mapa de saju, é preciso olhar os termos solares, não a mera data do calendário.
Além do saju, os termos solares guiaram a agricultura por milênios: quando semear e quando colher. E ainda sobrevivem em costumes e comidas, como comer certos pratos no solstício. Os termos são um almanaque vivo de uma vida em compasso com o ano do sol, e um lembrete de que a fortuna tradicional se enraíza não numa superstição vaga, mas na astronomia real.
Vistos assim, os 24 termos solares são uma maneira de sentir o verdadeiro ritmo do ano. As leituras de saju da FortuneLeaf também fixam os seus meses e anos por estes termos solares reais. Como sempre, isto é oferecido para a reflexão e não como um destino fixo: uma maneira de perceber, com suavidade, o seu próprio tempo, no compasso da grande respiração das estações.