Há dias em que a mente flutua e os pés parecem não tocar em nada. O pensamento corre à frente, e a ansiedade ergue o corpo do chão. O humilde modo de te voltares a pousar em «aqui, agora, este corpo» nesses momentos chama-se enraizamento ou «earthing/grounding». Há dois matizes principais: o enraizamento natural de tocar o chão diretamente com a pele nua, e o enraizamento psicológico que traz a mente ao presente através dos sentidos.
O enraizamento natural é tal como soa. Caminha ou fica um pouco descalço sobre erva, areia ou terra. Só de pousar a mente no frescor e na aspereza contra as plantas dos pés, no toque da terra, a atenção que tinha flutuado volta a assentar. Encostar as costas a uma árvore, ou tocar a terra com ambas as mãos, também vai bem. É o modo mais antigo e barato de se serenar, sem equipamento especial.
O enraizamento psicológico pode usar-se a qualquer hora e lugar. Um clássico é «5-4-3-2-1»: contar devagar cinco coisas que vês, quatro que ouves, três que podes tocar, duas que cheiras, uma que saboreias. Concentrares-te no toque das plantas dos pés contra o chão, ou lavar as mãos com água fria e sentir esse toque por completo, também é bom enraizamento. O ponto é um: sair do remoinho do pensamento e lançar a âncora na sensação deste momento presente.
O modo sábio de usar o enraizamento é humilde. Isto não é uma magia que apaga a ansiedade, mas uma asa que te deixa firmar os pés e estabilizar a respiração um momento quando vacilas. Cuida da tua segurança: vidros, insetos, clima. Se o pânico ou a ansiedade vêm com frequência e força, em vez de aguentares só com o enraizamento, examina-o com quem te rodeia e, se preciso, com um profissional: isto não substitui o cuidado. Como a FortuneLeaf sempre faz, o que este humilde contacto oferece não é uma grande cura, mas uma reflexão suave que traz de volta à terra um eu que flutuava, pois por muito longe que a mente corra, este lugar onde dois pés pousam está sempre à tua espera.