Ler o coração no padrão das folhas de chá que restam ao terminar uma xícara: a isto se chama tasseografia, ou leitura das folhas de chá. É um velho costume transmitido à sua maneira nas cozinhas da Grã-Bretanha e da Irlanda, nas culturas do café do Médio Oriente e nas cerimônias do chá da Ásia Oriental. As ferramentas não são nada grandioso: algumas folhas que se depositam naturalmente no fundo de uma xícara bebida, e uma mente que as contempla em calma.
O método é humilde. Bebe devagar um chá preparado sem coador e, quando estiver quase no fim, deixa apenas um pouco de chá e folhas na xícara. Depois toma a xícara com a mão esquerda, gira-a suavemente três vezes e vira-a sobre o pires para escorrer a última umidade. Põe-na direita de novo, e as folhas se espalham pela parede interior e pelo fundo, desenhando suas próprias formas. Um matiz comum é tomar a asa como ponto de referência do «eu mesmo, agora»: perto da asa está o que é próximo, mais longe o que é distante, a parte alta da xícara é energia luminosa e o fundo um coração mais fundo e antigo.
Não há uma única maneira certa de ler as formas. Um coração pode trazer à mente o amor e os laços; um pássaro, notícias ou viagem; uma árvore, crescimento e enraizamento; uma chave, uma porta que se abre. Mas isto não é um dicionário fixo, e sim um fio que pergunta em calma que história aquela forma traz ao tu de hoje. O mesmo pássaro pode ler-se como uma carta bem-vinda para um e como um desejo de partir para outro.
O modo sábio de aproveitar a leitura das folhas de chá é não agarrar o seu resultado como profecia. O padrão da xícara não fixa o futuro. Assemelha-se mais a uma pausa suave: um momento para olhar para dentro junto a uma xícara de chá quente. As perguntas pesadas, como a saúde ou a carreira, devem resolver-se não com as folhas de chá, mas com a tua própria situação, com quem te rodeia e, se preciso, com um profissional. Como a FortuneLeaf sempre faz, o que este jogo oferece não é um destino fixo, mas um gole de reflexão que te deixa olhar o teu dia com um pouco mais de ternura, pois mesmo no fundo de uma xícara já fria, sempre encontramos ao menos uma história para contar a nós mesmos.