Há momentos em que uma velha chávena de chá um pouco lascada e gasta atrai o coração mais do que uma tigela nova perfeitamente lisa. A velha estética japonesa «wabi-sabi» fala justamente desse matiz. É uma mente que acha a beleza não no completo e esplêndido, mas dentro do imperfeito, do efémero e do humilde. Cerâmica rachada, pedra coberta de musgo, uma flor que murcha: precisamente porque não são nem eternos nem perfeitos, são ainda mais ternos e fundos.
Na raiz do wabi-sabi corre um sentido da vida: «tudo muda, nada é perfeito, e algo pode ser belo mesmo estando inacabado». Um exemplo representativo é o «kintsugi», reparar uma tigela partida com pó de ouro para que até as suas cicatrizes se tornem um desenho. Em vez de ocultar a ferida, revela-a, abraçando com calor que «o lugar que se partiu é também a história desta tigela»: aí vive o coração do wabi-sabi.
Porque é que este sentido serena o coração? Muitas vezes cansamo-nos sob a pressão de «tenho de ser perfeito», odiando os nossos próprios defeitos e o inacabado. Mas visto com olhos wabi-sabi, o tu de agora, um pouco carente e ainda por polir, também pode ser suficientemente belo tal como é. Em vez de te empurrares para a perfeição, surge um espaço aberto para olhar a tua imperfeição presente tal qual é.
O modo sábio de acolher o wabi-sabi é humilde. Não o confundas com uma «moda de colecionar objetos deliberadamente gastos»: o seu coração não é o objeto, mas o olhar que abraça a imperfeição e a fugacidade. Mas quando o ódio por ti mesmo correr demasiado fundo e longo, em vez de aguentares só com esta visão, examina-o com quem te rodeia e, se preciso, com um profissional. Como a FortuneLeaf sempre faz, o que esta velha estética oferece não é um grande segredo da perfeição, mas uma reflexão suave que te deixa olhar para um eu e um mundo imperfeitos com um pouco mais de ternura, pois assim como a luz se infiltra numa fenda, uma beleza própria habita até nas fissuras da nossa vida.