A astrologia moderna usa, além de corpos reais como o Sol, a Lua e os planetas, vários “pontos calculados,” e o mais comentado ultimamente é Lilith (Lua Negra). Não é uma estrela suspensa no céu, mas uma posição matemática que marca o ponto mais distante (o apogeu) da órbita elíptica da Lua em relação à Terra. Embora não tenha substância, atraiu os corações durante séculos pela história que guarda o nome “Lilith” a ele ligado.
Lilith é uma figura de antiga lenda. Em alguns relatos é a primeira mulher que, recusando-se a conformar-se e agarrando-se à própria vontade, foi expulsa para fora do paraíso. Assim, na astrologia, Lilith passou a simbolizar “a parte de mim que a sociedade me ensinou a reprimir” — instinto indómito, desejo reprimido, selvajaria e ira ocultas, a voz verdadeira que se escondeu por temer incomodar os outros. Numa palavra, a “sombra” interior.
Ao ver em que signo e casa Lilith cai no mapa natal, pode-se calibrar em que área se sente com mais força essa energia reprimida. Na casa do amor, ergue-se nas relações; na do trabalho, no papel social — essa sombra a levantar de repente a cabeça. Amiúde mostra-se como o próprio ponto onde alguém pergunta: “porque me inflamo só aqui, porque engulo sempre esta parte?”
O que importa é que Lilith não é mal nem maldição. A sombra não é um inimigo a destruir, mas uma peça de si mesmo longamente reprimida e despojada de voz. Só reprimida, rebenta em momentos estranhos ou ressuma como um mal-estar subtil; mas advertida e nomeada com ternura, torna-se antes uma grande força. Libertada da repressão, Lilith floresce na audácia de guardar a própria mesmidade, uma liberdade que não se deixa mover pelos olhares alheios, e uma funda criatividade.
Por isso, mesmo ao ouvir que Lilith está no mapa, não é preciso temer. É só um convite terno: “a parte que suportaste e escondeste tanto tempo está aqui, por isso agora, em vez de a odiar, olha-a e abraça-a.” Aqui está a razão de a FortuneLeaf apresentar Lilith (Lua Negra) — oferecida não como uma ferramenta que atemoriza sobre a sombra, mas como uma reflexão gentil que te ajuda a advertir o eu verdadeiro reprimido dentro e a abraçá-lo como o teu ser inteiro. Pois é ao aceitar como próprias até as partes ocultas que chegamos, enfim, a ser um pouco mais livres.